Comprado numa loja para cavalheiros (termos em desuso, bem sei), na Rua Augusta, Baixa, servi de presente de Natal para um avô. Sou o que se chama um guarda-chuva bem-nascido.
Ultimamente tenho tido a vida num virote, os ventos estão ciclónicos, chove o dia todo, o tempo está maluco, nem me poisam no bengaleiro.
Gosto de passear, que o meu dono me use à laia de bengala, adoro “sentar-me” nos bancos húmidos do jardim, do cheiro da terra molhada, do som da chuva a cair, sentir o vento a passar pelas minhas varetas, Lisboa mesmo com chuva tem uma luz tão especial, mágica.
Até Abril aguas mil estou garantido, o problema chega depois, meses a fio na escuridão do bengaleiro, entalado entre casacos de abafar a cheirar a mofo, sem qualquer utilidade, uso...
Do que gosto mesmo é do bulício de Inverno!
Sofia O